16.8.08

Quinta-feira, 10.07 Curitiba - Paris



Viajamos para Paris de Varig, saindo de Curitiba as 16:30 e de São Paulo as 23:30 . Tudo bonitinho se não tivessemos que descer em Congonhas e de onibus ir até Guarulhos. A Varig paga o ônibus, mas atravessar a cidade em pleno horário de congestionamento não é das atividades mais simpáticas.

Quem organizou nossa viagem foi o marido. Horas e horas na internet procurando hotéis, guias e sabe Deus mais o que. Eu não procurei nada, esqueci de levar um monte de coisas e só tive tempo de arrumar minha mala na noite anterior. Minha contribuição foi cotar os euros e as libras - que por sua vez não foram entregues como combinado.

As duas idéias brilhantes foram a calça de lycra e a bolsa a tiracolo. A calça apesar de confortável fazia com que eu parecesse um balão e a bolsa sem divisória só me fazia perder as coisas.





Há tempos eu não viajava por Guarulhos, mas tudo continua igual: comida cara, filas longas e o melhor pão de ló que alguém pode comer na vida. Quando trabalhava na aviação, nunca entendi como um aeroporto internacional pudesse ser tão feio, mas como isto agora não faz mais diferença vamos parar por aqui .

Viajamos em um 767 que a classe ecônomica mais parecia uma lata de sardinha. Serviço de bordo bacana e a bandeja super colorida - uma graça. Minha sorte foi que na fileira de trás uma poltrona vagou e depois do jantar mudei para lá. Não teve filme, porque não tinha tela! E a noite não foi das mais fáceis e durante toda noite espiei a executiva com saudades dos bons tempos que este serviço me era oferecido.

Sexta,11.07 Je t'aime, Paris


Prestes a pousar na França, descobri que passei as 12 horas sentada no tubo de pasta de dente e minha calça quer era preta estava completamente branca e grudenta. A solução foi amarrar a jaqueta na cintura para desembarcar.

Desembarcamos, fizemos a imigração, pegamos a mala sem muita dificuldade e fomos para a estação de metro.




Paris está bem diferente da última vez que estive lá. Mais suja e mais tumultada, principalmente porque é VERÃO EUROPEU. Chineses , negros, indianos e brasileiros em cada esquina, contrastando com a população francesa, que contrariando tendencias mundiais, permanece magra.(Acho que vou ler aquele livro ' Porque as mulheres francesas não engordam" )


Chegamos, compramos passes de metro e bêbados de sono conseguimos encontrar o hotel.Largamos nossas mala, tomamos banho e fomos para Champs-Élysées buscar os convites para o jogo. Enquanto eu esperava Rudnei retirar os ingressos na Fenac, fiquei na Sephora olhando maquiagem enquanto as árabes compravam todas que podiam.

Meu momento de glória chegou quando um maquiador da Dior, com um inglês perfeito e maquiado como uma mulher se aproximou e pediu para me maquiar. Em 20 minutos ele me transformou na capa da Vogue explicando cada produto que ele passava no meu rosto e automaticamente jogava na minha cesta de compras.



Quando questionei se a um produto tiraria as imperfeições da minha pele, ele respondeu: Mas vc tem apenas um pouco de nariz vermelho... ( quase infartei)




Uma mulher elogiada é uma mulher feliz. Saí flutuando da loja, de shorts e havaianas verdes me sentindo a mulher mais linda da França. Secretamente comecei a pensar em todas as Sephora de Paris e que poderia se rmaquiada pela manhã para fazer fotos durante o dia com o rosto de estrela.



Como a França é divertida.

Sábado, 12.07 Versalhes - Torre Eiffel - Le Corbusier e Jogo

O All Seasons foi nosso hotel em Paris, na Republique. Simples, limpinho e com um recepcionista que falava um excelente inglês ( cinco horas depois de aterrizarmos na França descobri que isto não tem preço ;)




O café da manhã estava incluso na diária, mas no segundo dia minha amizade com a comida francesa começou a azedar porque só comíamos pão. Tudo cheirava pão, em todas as vitrines só havia pão e para ajudar eles ainda custavam muito caro.





As relações diplomáticas Silvia - França acabaram quando não consegui ir mais ao banheiro. (Rudnei por sua vez, permaneceu amigo os pães até a nossa volta. E foi muito feliz)




Pela manhã, atravessamos a cidade para ir a Versalhes ( que fica ha uns 20 min da cidade de trem).






Tudo muito bem em Versalhes até descobrirmos que nenhum francês era capaz de nos dar informações precisas de horários em um país que vive do turismo. A diferença de OPEN e CLOSE parecia algo totalmente sem importância dificultando a vida dso turistas inocentes ansiosos por conhecer in loco os monumentos da história francesa.



Depois de visitar Versalhes fomos para o Petit Trianon.



Turistas por todos os lados e a irritação estampada no rosto dos funcionários. Eu não sei em que momento do nosso dialeto francês a funcionária nos disse que o Petit Trianon estava fechado. Eu falava em português para o Rudnei que não estava, Rudnei dizia que acha que estava sim porque em algum lugar ele havia lido que estaria ( onde fica "algum lugar"?) e a funcionária nos respondendo em inglês que tudo estava em restauração. A confusão começou na hora que comecei a chorar.



A funcionária não entendia meu drama e eu também não estava afins de explicar. Insistimos indo até o trenzinho... e a situação ficou pior. A outra funcionária disse que não tinha nada em restauração, mas que o castelo só ficava aberto até as 12 hs. Perdi a paciência e fomos embora. Rudnei continuou bem humorado a viagem toda.





























Fomos então para a Torre Eiffel.


Eu não tenho muito gosto em ficar subindo escadas e cá entre nós nunca tive interesse em subir na torre Eiffel.


Sinceramente não acho que nada que eu veja lá de cima possa ser tão interessante quanto o que tenho aqui embaixo, por isto não me importo em sentar no corredor quando Rudnei quer ver a janelinha do avião. Acho que fiquei tantos anos lá em cima quando trabalhava como comissária que cansei de ver tudo por esta perspectiva.


Fila enorme ( se é que algum dia ela não foi grande) e adoraveis vendedores de chaveirinhos ao preço de 1 euro cada 5 peças. Uma bagatela! Pena que a polícia corre atrás deles a todo momento. Eu e os chaveirinhos da França temos um caso de amor desde a primeira vez que nos vimos, quando ganhei de presente do Rodrigo. Nos próximos dias eles não sairiam da minha cabeça e a cada vendedor que eu via eu tinha vontade de comprar mais...









Desistimos do subir na Torre e fomos para o outro lado da cidade, na Villa Savoye onde as horas infindáveis do marido no computador começaram a ter sentido.





30 minutos de trem, 20 minutos a pé e o que conseguimos foi chegar em local onde não havia nenhum turista por perto, para visitar uma casa que parecia abandonada.



Na famosa casa de verão de Le Corbusier erámos em 6 pessoas no local, sendo que 2 delas eram funcionárias . Projetada na década de 20 é identica ao escritório do meu pai, mas sem atrativos para gente como eu e o não resisti ao sono durante a espera. Sentei na poltrona para esperar meu marido e dormi.( a cadeira também é um exemplar Le Cobursier, apesar que eu prefiro as Barcelonas chiquérrimas).













Uma hora depois de nos livramos da casa do Le Corbusier, chegamos a Paris e fomos SUBIR as escadarias do ARCO DO TRIUNFO. A visão é linda, mas a subida...Melhor nem comentar para não desistir da idéia antes mesmo de chegar a França, porque "le escada" é a morte.






No final da tarde fomos assistir o jogo comemorativo da vitória da França na Copa de 98 (contra o Brasil! !!!) em um estádio lotado e enlouquecido pelo Zidade ( carinhosamente chamado de Zizu)


Não me perguntem o que estávamos fazendo lá, mas cantamos o hino, fizemos ondinha, vibramos a cada gol e assistimos aos fogos ( nunca vi um povo gostar tanto de fogos de artificio quanto os franceses). Como não acompanho futebol, comemoro com quem ganha, afinal temos que dar o exemplo de civilidade.








Nos comportamos como os franceses. E comemos 2 pães, linguiça e batata pela bagatela de R$ 50,00. Com este dinheiro no Brasil, provavelmente eu teria comprado pão e batata para a o mês inteiro aqui em casa, mas como estávamos de férias e nas férias não podemos fazer paridade com o dinheiro, principalmente com dinheiro - porque rapidinho você vai descobrir que era melhor ficar em casa.

Domingo, 13.07

Quem não conhece o Louvre, não conhece Paris.

O acervo do Louvre é maravilhoso mas é sempre bom locar um audio guide se o inglês estiver bom. Se não estiver, não jogue dinheiro fora porque no meio da confusão e barulho que são esses museus se o inglês não estiver calibrado voce não entende nada.


Eu me tornei fã desses aparelhinhos, mas acho que acho que seria mais interessante, ter menos informação sobre MAIS obras, mas enfim tudo válido.

A grande maioria dos visitantes não sabe muito o que está vendo e acaba associando o Louvre a Monalisa ( dissertando horas e horas sobre isto) o que é uma pena. O acervo deles reúne amostras de vários períodos da civilização e vale cada parada para contemplar uma peça ou uma obra, ao invés de se amontuarem perto do quadro porque todos querem tirar uma foto desfocada com a Gioconda.

Depois do almoço ( não me lembro a sequencia dos pães) fomos para Notre Dame.

Antes de entrarmos na Catedral, fomos a cripta que foi descoberta durante escavações em 1965 e que fica em baixo da catedral.

Em Notre Dame tudo reinava – menos a paz do Senhor. Uma confusão tremenda de visitantes de todos os lugares do mundo em meio ao recital de orgão da igreja. Não se ouviam as explicações do audio guide, o som do orgão era ensurdecedor e a sensação que eu tinha era que no meio daquela cofusão toda o Quasimodo apareceria na minha frente.

Como não sou fã de subir escadas, na primeira recusa do marido em subir os 387 degraus, saimos rapidinho dali, mas pensando nisto agora, me arrependi de não ter visto o Vampiro, o mais famoso das quimeras da Catedral.
( As quimeras de Notre Dame são popularmente conhecidas como Gárgulas, mas como a função dessas esculturas é meramente ornamental ou associadas a conservação destes grandes monumentos contra a ação da chuva elas não podem ser classificadas como gárgulas cuja figura está associada a proteção)

Neste dia também fizemos um passeio de barco pelo Sena durante o qual eu dormi o trajeto inteiro, porque ventava e fazia frio.

Segunda, 14.07 Viva a República

Acordamos cedo para assistir ao desfile em comemoração a queda da Bastilha ( República Francesa).


40 chefes de estados, incluindo presidente de Israel e da Palestina e o Secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon, mostraram que o cerimonial francês fez milagres em conseguir colocar toda essa gente no mesmo tablado sem sair ninguem morto.


Mas eu que tenho uma certa queda por mulheres despirocadas que se vestem bem, queria mesmo ver a Carla Bruni atual primeira dama francesa. ( A parte engraçada é que o pai dela mora no Brasil. O Osama Bin Laden também não tinha parentes por aqui !?) Como não vi, me contentei em em acenar para o Nicolas Sarkozy – atual presidente da França.




A tarde fomos a TORRE EIFFEL – mais precisamente no alto dela.

E como eu já sabia, nada lá de cima que não seja visto daqui de baixo. Horas de fila para subir, horas para descer. E nós lá, comendo pão e esperando o tempo passar.

A surpresa da tarde foi o MUSÉE DU QUAI BRANLY ( OK eu assumo que tenho preferencia discarada por ver museus a subir nas coisas). Os artefatos que eles possuem vindos da África, Américas (incluindo objetos de tribos indígenas da Amazônia), Ásia e Oceania são barbáros.


No final do dia a glória: BASILIQUE SAINT-DENIS.

A Basilica ( profanada durante a revolução) é uma necropole real onde vários reis da França estão enterrados, desde o o inicio do século 10 até a Revolução em 1789. Não contive as lágrimas quando vi a lápide da Maria Antonieta cujo corpo foi ali colocado em 1815 na restauração da monarquia durante o exílio de Napoleão.

Quando se estuda um personagem durante muito tempo, naturalmente você se afeiçoa a ele e isto não podia ser diferente comigo.


Antes de assistirmos o final das comemorações da queda da Bastilha, resolvemos ir ao hotel tomar banho e trocar de roupa.

Se algum francês ler isto , provavelmente vai convulsionar de tanto rir, porque nem eles são tão malucos para fazer um roteiro destes. Ninguem conseguia sair da estação de metro que estava entupida de gente e durante a queima de fogos quase apanhamos da polícia porque as pessoas começaram a brigar. Se tinha gente até pendurada no poste, dá para imaginar o tamanho da confusão




Como festa de francês não pode faltar fogos, durante 30 minutos suportamos o aperto, o suor e os agudos da cantora . Viva a República!

Terça, 15.07 Versalhes

Voltamos a Versalhes na terça-feira, porque somos brasileiros e não desistimos nunca.

O passeio romantico de barco no lago, em segundos foi promovido ao pastelão do ano. Rudnei não sabia remar e o serviço pesado sobrou para mim. Ficamos meia hora na agua, o sufiente para tomar sol, bater na beira do lado, bater no barco vizinho e voltar a terra firme.

A visão do castelo é maravilhosa e o passeio vale a pena até para quem não sabe remar. Coloquei na minha lista de coisas a fazer ainda nesta vida: Voltar a Versalhes e ficar deitada no barco durante 1 hora pensando na vida.

Neste dia o Petit Trianon estava aberto
.


Pulando muitos capítulos , virgulas e pontos da História este foi o castelo de Maria Antonieta durante os últimos anos de sua vida e tudo que foi relatado nos livros pode ser visto lá.

A história de Versalhes iluminada pelo sol deste dia me deixou uma das lembranças mais queridas da França. Sabe quando você pensa: Valeu a pena ! - Este foi momento que me senti assim.

Quem atualmente financia a restauração do Petit Trianon é a Breguet , a linha de relógios de luxo que hoje faz parte do grupo Swatch.


Em 1775 Abraham-Louis Breguet recebeu uma encomenda misteriosa de um relógio que agrupasse todas as complexidades para ser dado de presente a Maria Antonieta. Com a Revolução Francesa em 1789 , a monarquia ruiu, Maria Antonieta perdeu a cabeça e o relógio não foi terminado.

Como o revival em torno do nome da monarca, atualmente, a Breguet usa Maria Antonieta em uma se suas propagandas.

"A rainha Maria Antonieta nunca usou o célebre relógio Breguet que leva seu nome. Fabricado com todas as complexidades da indústria relojoeira, teve ele que esperar até 1827 para ser concluído seu maravilhoso conjunto, isto é, 44 anos após a data em que havia sido encomendado e 34 anos depois da morte de Maria Antonieta”.

Se você nem sonha sobre o que eu estou falando, acesse o link:: http://www.breguet.com/en/welcome.html







Próximo a Versalhes há uma galeria com coisinhas bem legais. A mais simpática delas é essa lanchonete da foto com uma pasta bem honesta. Exlcuindo a executiva do trem e o pacote de bolacha de chocolate, este foi o lugar que mais gostei de comer. O macarrão era quente e salgado e a salada tinha até champignhons!

Voltando a Paris fomos ao museu Rodin. Na mesma área estava tento uma exposição da Camile Claudel mas em um minuto de bobeira decidimos não visitar. Agora me arrependi porque dificilmente teremos outra oportunidade de ver in loco as obras desta artista.

Ao lado no Museu das Armas ficamos bem pouco. A área destinada a Luis XIV estava fechada para visita e eu não gostei nada de ver as armaduras em crianças que iniciavam seus exercicios militares aos cinco anos.

Quarta, 16.07 PARIS – LONDRES


Fizemos o trajeto Paris – Londres de Eurostar na classe executiva. Rápido ( 400 km em 2:15 hs), espaçoso, serviço de bordo da impecável – fica a dica para quem fizer este trecho.

Saimos de Gare du Nord , atravessamos o Canal da Mancha e desembarcamos em St Pancras ( que custou a bagatela de USD 12 bilhões ). Evita-se de ir a Calais pegar navio ou enfrentar a chateação dos aeroportos. O charme está em saber que 40 km metros de túnel estão abaixo do mar.

Como em toda viagem compro um caderno para escrever os relatos, assim que desembarcamos em Londres comprei um caderno que não foi usado. Logo que comecei a pensar na ordem do que escrever vi que na era dos blogs não há muito sentido em fazer relatos no papel e não dividir com ninguem.

Em Londres compramos Oyster Cards ( cartão carregado para o uso dos metros) e fomos para Aldgate East – estação próxima ao hotel que faz parte do circuito de Jack – O Estripador.

Enquanto esperavamos o metro e desciamos em cada estação porque a todo momento achavamos ter pego o metro errado comentei com o Rudnei que até então não havíamos ouvido Mind the Gap ( algo como cuidado com o buraco entre o trem e a plataforma) .
Homem de pouca fé, principalmente quando se trata das minhas palavras, ele me responde que talvez eu tivesse ouvido errado e que talvez fosse “Reminder your Station”. No comments. A cada Mind the Gap que ouvíamos eu não conseguia mais parar de rir – e assim continuei por 5 dias.

Em Londres ficamos no Ibis. Preço bom, espaçoso, café da manhã bacana. Recomendo, recomendo, recomendo. Só não caia na besteira de acessar a internet pela TV que é a maior roubada em termos tecnológicos que alguém pode se meter.

Durante o resto do dia fomos a Tate Modern (http://www.tate.org.uk/ ) que é um museu de arte moderna situado a beira do Tâmisa. No acervo Pablo Picasso, Salvador Dalí, Matisse, Mondrian, Salvador Dalí e Andy Warhol.


Como estava para fechar , ficamos pouquissimo tempo e para piorar não conseguimos voltar antes de irmos embora de Londres. Uma pena. Também fomos a Saint Paul ( onde a Princesa Diana se casou com o banana do Charles) e passeamos por Buckingham atravessando Saint James.

Na Inglaterra eu estava otimista que toda aquela andança me faria eliminar alguns quilos, mas o ponteiro da balança que já estava nas alturas permaneceu lá .